Escrito por Abigail Adriana Loayza Becerra, voluntária no Ministério Irmã Rosa de Ferro em Cusco, Peru
Quantas vezes ouvimos ou dissemos: "Esse não é o meu dom"?
Muitas vezes falamos isso quando alguém nos convida para servir, ensinar, evangelizar ou até mesmo apenas para ouvir. Sem perceber, transformamos essa frase em um atalho para evitar compromissos e em uma desculpa para não participar da missão que Jesus nos deixou. É verdade que Deus concedeu dons diferentes a cada um de nós; a Bíblia nos diz que o corpo de Cristo é formado por muitas partes e que cada uma desempenha uma função distinta: alguns ensinam, outros encorajam, outros servem, outros lideram, outros exercem misericórdia, e assim por diante. No entanto, ter dons diferentes não significa que alguns crentes estejam isentos de dar frutos ou de fazer discípulos.
Efésios 4 explica que cada membro do corpo contribui com algo indispensável para a Igreja. Quando cada membro utiliza os dons que Deus lhe concedeu, o corpo cresce, fortalece-se e reflete o amor de Cristo. O problema começa quando escondemos nossos talentos atrás de frases como "esse não é o meu dom", "não sou boa nisso" ou "é melhor que outra pessoa faça"... Muitas vezes, não se trata de falta de capacidade, mas de medo, comodismo, insegurança ou falta de disposição.
Jesus também não disse que apenas alguns deveriam dar frutos. Em João 15:8, Ele afirma que o Pai é glorificado quando damos muitos frutos e provamos ser Seus discípulos. Dar frutos não significa apenas pregar de um púlpito. Damos frutos quando discipulamos alguém, quando servimos com alegria, quando demonstramos hospitalidade, quando ouvimos aqueles que precisam de consolo, quando administramos bem os nossos recursos ou usamos as nossas habilidades para abençoar o próximo.
Os dons que Deus nos concede não são para o nosso próprio benefício, mas para a edificação e o crescimento da Igreja, a fim de que outros possam conhecer a Cristo. Todo dom e todo talento podem ser ferramentas para espalhar o Reino de Deus. Muitas vezes, esperamos nos sentir preparadas para servir, mas, se estivermos dispostas a usar os dons que Deus nos deu, mesmo que nos sintamos despreparadas, Ele nos capacitará à medida que agirmos em obediência (assim como fez com Moisés, Débora, Gideão e muitos outros).
Talvez o seu dom seja ensinar, cantar, encorajar, evangelizar, organizar, cozinhar, escrever, ouvir, administrar, etc. Nenhum dom é pequeno demais quando usado com amor, disposição e, acima de tudo, com a intenção de glorificar a Deus. Uma das coisas mais importantes é não ficar comparando dons, e sim focar em ser fiel a Deus com os dons que Ele nos confiou.
Quando paramos de dar desculpas e servimos de boa vontade e com intencionalidade, e quando cada membro decide assumir o lugar que Deus preparou para si, descobrimos que Deus pode fazer mais do que imaginamos. Veremos vidas transformadas, veremos a Igreja crescer e veremos pessoas sendo fortalecidas. Não permitamos que a frase "esse não é o meu dom" nos impeça de obedecer ao chamado de Cristo; em vez disso, perguntemos a nós mesmas: "Como posso usar o que Deus já colocou em minhas mãos para dar fruto e fazer discípulos?" Afinal, talvez não sejamos lembradas pelos dons que possuíamos, mas sim pela nossa fidelidade em usá-los para a glória de Deus.
Que dom, talento ou habilidade Deus te deu que talvez você tenha deixado de lado por medo ou desculpas, e como você pode começar a usá-lo intencionalmente para dar fruto e fazer discípulos nesta semana?
