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Escrito por Rayne Paz, voluntária no Ministério Irmã Rosa de Ferro em Salvador
Simão Pedro lhe respondeu:― Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna. 69Nós cremos e sabemos que és o Santo de Deus. (Jo 6:68-69 NVI)
Você se lembra o que ou quem te levou até Cristo? Muitos são os caminhos que levam alguém a conhecer Jesus, algumas pessoas O conhecem desde pequenas através dos pais ou responsáveis, já outras na adolescência ou fase adulta.
Nos versos que trabalharemos hoje veremos que algumas pessoas tiveram o privilégio de conhecer a Cristo pessoalmente, mas houve um detalhe: a mensagem não lhes pareceu suficiente para permanecer com Ele, na verdade esta mensagem parecia um tanto sem cabimento humanamente falando. Em João capítulo 6 (leia todo capítulo) Jesus estava se tornando conhecido, já não era necessário que Ele fosse apresentado às pessoas que iam até Ele. Ele parecia um bom mestre, com boas ofertas aos seus seguidores, ainda mais no último encontro onde houve até uma refeição de graça. Mas, dessa vez, apenas achá-lo um bom mestre e compartilhar de um bom alimento físico não seria suficiente para continuar a acompanhá-lo. Jesus sai da esfera carnal e apresenta àquelas pessoas o verdadeiro benefício em segui-lo. Entretanto, não foi bem o que a multidão esperava ouvir.
Assim como aquelas pessoas um dia conhecemos a Cristo, pode até ter sido inicialmente por algumas das Suas bênçãos materiais, mas chega um momento que somos confrontadas com verdades difíceis de aceitar. Somos colocadas a prova se estamos permanecendo nEle pelos motivos corretos. Chega uma hora que é necessário decidir ficar. As palavras de Jesus confrontam as nossas maiores convicções e de repente nos vemos na posição de abrir mão daquilo que acreditamos para crer exclusivamente nEle.
A palavra usada por um dos Seus seguidores no verso 60 traduzido por “duro” (“difícil”; NTLH) vem da palavra grega sklhro/ß (sklēros), não significa “difícil de entender”, mas sim “áspero”, “severo” ou “desagradável”. Logo, não é que a mensagem de Cristo nos é incompreensível, mas sim que é desconfortável a nossa vontade, é desagradável ao nosso eu e por vezes é frustrante ao que nós esperamos.
A palavra de Jesus foi ofensiva não incompreensível. Porém, é necessário tomar uma decisão, Jesus já sabe da nossa resposta se vamos segui-lo ou não, como também sabia da resposta dos discípulos, mas Ele quer nos ouvir proferi-la para o próximo e para nós mesmas, assim como Pedro reconhecer, aceitar e proclamar que não há outro caminho (verso 68). Decidir ficar consiste em entender quem Jesus é, o Seu trabalho remidor e o plano de salvação. É olhar com olhos espirituais de saciedade e contentamento no alimento vivo e eterno não esperando aquilo que podemos até usufruir nesta vida, mas que será passageiro e inútil. Jesus é o alimento que dá a vida eterna saciando para sempre.
Há uma canção que resume muito bem isso “Cristo oferece o que Ele é”, Jesus ofereceu o pão da vida porque Ele é a própria vida. Infelizmente, aquelas pessoas não estavam preparadas para isso, a vida aqui na terra para elas importava mais.
É fato que alguns não suportarão essa verdade, ou não estarão dispostos a abrir mão das suas convicções em nome de Cristo, mas assim como Pedro devemos reconhecer que não há outro a quem podemos confiar inteiramente nossas vidas, não pelo que Ele oferece, mas pelo que Ele é. Aquela ocasião foi um passo importante para os 12: se tornar um discípulo consiste em abrir mão desta vida e reconhecer que fora de Cristo não há para onde ir.
E nós, decidimos ficar?
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Escrito por Elesa Goad Mason, voluntária no Ministério Irmã Rosa de Ferro no Texas
Há no meu íntimo um oráculo a respeito da maldade do ímpio: Aos seus olhos é inútil temer a Deus. Ele se acha tão importante, que não percebe nem rejeita o seu pecado. (Sl 36:1-2 NVI)
Passei os primeiros 13 anos da minha vida crescendo com um irmão. Uma relação típica de irmão e irmã; amigos num momento, mas no outro não. Nunca tivemos muito em comum, então nossas vidas e interesses tomaram direções diferentes. Foi só depois da faculdade, depois de casados e de ter construído nossas próprias famílias, que nos aproximamos e nos envolvemos mais na vida um do outro.
Avance muitos anos, para quando a maioria dos nossos filhos já estavam crescidos e nossas vidas corriam a todo vapor, ou assim parecia. Certa tarde, ao final de um longo dia, recebi uma ligação dele, emocionado e com muito remorso. Ele sentia que Deus havia colocado em seu coração a confissão de um pecado que poderia colocar sua vida, como ele a conhecia, em perigo. Fiquei chocada porque, além do meu pai, meu irmão era a única pessoa em minha vida que eu sentia que tinha um relacionamento tão forte com o Senhor que jamais imaginava que ele teria que confessar um pecado publicamente, muito menos para mim em particular. Fiquei arrasada com sua tristeza, mas também impressionada com sua força para fazer a coisa certa, sem saber as consequências, e para iniciar um processo de confissão e subsequente cura que levou muitos anos para ser concluído.
Desde o início dos tempos, Deus tem usado a natureza pecaminosa e as fraquezas do homem, com suas diversas personalidades, para cumprir Sua vontade e realizar Seus propósitos. O apóstolo Pedro nos vem à mente prontamente como um homem pecador que foi impetuoso quando rapidamente perdeu a fé em Jesus e começou a afundar nas águas tempestuosas, movido pela dúvida e pelo medo (Mt 14:29-31), e como um homem impulsivo que cortou a orelha de Malco, o servo do sumo sacerdote, por raiva porque estavam prendendo Jesus no jardim naquela noite fatídica (Jo 18:10). Ele também rapidamente declarou sua lealdade ao Senhor e, com a mesma rapidez, negou-O três vezes para se proteger da multidão enfurecida (Mc 14:66-72).
É tão fácil ter boas intenções ao fazer a coisa certa, e igualmente não tão fácil. Tudo isso sobre Pedro significa que Deus o usou de maneiras milagrosas para a Sua vontade. Deus canalizou a natureza ousada de Pedro para pregar um sermão incrível que resultou na salvação de aproximadamente 3.000 almas e o usou como uma coluna na igreja do Novo Testamento (At 10, 15). Deus é amoroso e perdoador e usou a natureza pecaminosa de muitas pessoas para realizar Seus propósitos espirituais; Davi, "um homem segundo o coração de Deus", Moisés, Jonas, Raabe e a lista continua.
Depois de conversar recentemente com meu irmão, que gentilmente reviveu um momento muito difícil de sua vida para me ajudar, ele explicou que, assim como Davi no Salmo 38, após seu pecado com Bate-Seba, ele se sentia fisicamente doente e totalmente esmagado pelo Senhor por causa de seu pecado. Ele, meu irmão, não teve escolha a não ser confessar seu pecado à esposa e à família e se entregar à misericórdia do Senhor e daqueles a quem amava profundamente, para enfrentar quaisquer consequências que lhe fossem impostas. Ele acreditava de todo o coração que sua salvação se devia a Jesus na cruz, e não a qualquer coisa que ele tivesse feito ou pudesse fazer.
O favor de Deus em nós se deve às Suas alianças e promessas, ponto final. Assim como Davi, apesar de sua natureza pecaminosa, Deus abençoou meu irmão além da medida, plenamente. Ele o abençoou com uma esposa maravilhosa e um casamento longo e lindo, e filhos e netos que o admiram e o honram como um homem de Deus. Assim como eu. E, assim como Pedro, Deus usa meu irmão como um pilar na comunidade espiritual, localmente, em todo o estado e em todo o mundo. Tudo porque ele escolheu Deus em vez do pecado.
Nosso relacionamento com Deus depende inteiramente de nossos corações gratos e da verdadeira penitência em nossa natureza pecaminosa. Deus quer ser o primeiro, ser amado e ser confiado em todos os aspectos de nossas vidas e em tudo o que fazemos. A confissão faz parte disso. Mas viver uma vida com menos julgamento, repleta de amor ao próximo mais do que a nós mesmos, é igualmente importante em nossas jornadas por esta vida.
Nossa recompensa é uma eternidade com o Deus que adoramos e com aqueles que amamos profundamente, que se foram antes e aqueles que nos seguirão depois que estivermos lá. Mal posso esperar!
